Liturgia Finados.
Queridos Irmãos !
A palavra do Senhor nos coloca a frente
de dois paradigmas centrais. O primeiro se refere em nossa crença no Cristo
Jesus. Jesus vivo, dentre os mortos, em seu sacrífico junto ao Pai para nos
libertar, para nos resgatar. O segundo paradigma se coloca em nossa condição
humana e que, em nosso Senhor, somos chamados a ressuscitar em
vida.
A nossa crença no Cristo Vivo ela se refaz, a cada dia,
pela nossa capacidade de amar o outro e fazer crer em sua transformação. O
mundo nos propõe diante à violência, frente às desonestidades, às traições e
aos pecados fazer crer que as pessoas não podem ser transformadas e não podem
se converter ao bem e ao que é correto e determinado por uma ética cristã. Este
pensamento é uma negação de que o Senhor fez-se milagre. Negamos Jesus por não
acreditar na possibilidade do homem novo, no perdão e no arrependimento e na transformação.
Este pensamento que condena o outro a uma única essência no mundo é uma forma
de desacreditar, de retirar a importância do sacrifício do Senhor Deus para
conosco, de seu compromisso em nosso resgate. É como se anulássemos a morte de
Cristo e nós mesmos o reconduzíssemos ao calvário. Assim, todas as vezes que
professamos julgamentos comuns de que as pessoas não prestam, de que as pessoas
precisam ser condenadas à morte, é como se nós mesmos conduzíssemos o sacrífico
de Jesus ao vazio, e neste caso o sepultássemos novamente. Em verdade, a cada
vez que negamos ao outro a possibilidade do perdão, da conversão, do
arrependimento e de sua transformação como homem novo, é como se negássemos o
sacrifício de Cristo claramente expresso em suas palavras neste evangelho: “Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os
afastarei”.
A
palavra de Jesus se remete a todos, o que significa qualquer um que o busque e
que o busque para a vida terá o seu perdão e renascerá nele. Por isso Cristo nos conforta com a morte de
nossos entes queridos, porque em nosso amor acreditamos e oramos para que eles
o tenham buscado e que agora vivam ao seu lado na paz eterna.
O segundo paradigma
se refere ao nosso comprometimento com a vida. Significa dizer que devemos, a todos os momentos, buscarmos nossa ressurreição. Muitos de nós
esperamos e damos conta do último dia como se fosse uma dimensão apocalíptica
do mundo, como se fosse o último dia de todos, ou o último dia de nossa vida
física na terra. Mas não o é. O último
dia é o chamado de Deus, um chamado que ele o faz hodiernamente para que este dia,
para que agora, para que hoje, seja sua aurora de luz, seja o seu dia de
arrependimento, seja o seu dia de salvação, de ressurreição.
Deus espera que você ressuscite em vida para
que não padeça em morte durante sua vida. Jesus fala de seu receio de não
perder uma só pessoa que lhe foi confiada pelo Pai, para que ele possa
ressuscitá-lo no último dia. Mas, como Jesus poderá ressuscitá-lo se você não o
reconhece e se você não se dirige a ele ? Pois é isso que ele professa: “quando
vierem”.
Assim, o Cristo nos adverte
para que sejamos vivos em vida e possamos trazê-lo em nosso coração a cada dia,
como se nova luz nascesse em nós e novo espírito refizesse nosso coração. Essa
nova luz e esse novo espírito é o amor do Senhor, é ele que nos salva, ele que
nos redime e ele que nos faz vivos em vida. Trata-se de uma transformação...
Morrer para o mundo, nascer para o Cristo esta é a ressurreição e ela deve se
fazer a cada dia, pelo amor e pela busca de nossa transformação e de todos com
os quais convivemos. O chamado do Senhor
Jesus une os dois paradigmas: acreditar na transformação do outro é fazê-lo
ressuscitar em vida, isso significa que o Senhor Deus habita em nosso coração e
em vida estamos ressuscitados e em nós ele vive. O último dia é hoje, o agora,
o primeiro de muitos dias de nossa vida em Cristo Jesus.
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