sábado, 1 de novembro de 2014

RESSUSCITAR EM VIDA !

Liturgia Finados.

Queridos Irmãos !
A palavra do Senhor nos coloca a frente de dois paradigmas centrais. O primeiro se refere em nossa crença no Cristo Jesus. Jesus vivo, dentre os mortos, em seu sacrífico junto ao Pai para nos libertar, para nos resgatar. O segundo paradigma se coloca em nossa condição humana e que, em nosso Senhor, somos chamados a ressuscitar em vida.

A nossa crença no Cristo Vivo ela se refaz, a cada dia, pela nossa capacidade de amar o outro e fazer crer em sua transformação. O mundo nos propõe diante à violência, frente às desonestidades, às traições e aos pecados fazer crer que as pessoas não podem ser transformadas e não podem se converter ao bem e ao que é correto e determinado por uma ética cristã.   Este pensamento é uma negação de que o Senhor fez-se milagre. Negamos Jesus por não acreditar na possibilidade do homem novo, no perdão e no arrependimento e na transformação. Este pensamento que condena o outro a uma única essência no mundo é uma forma de desacreditar, de retirar a importância do sacrifício do Senhor Deus para conosco, de seu compromisso em nosso resgate. É como se anulássemos a morte de Cristo e nós mesmos o reconduzíssemos ao calvário. Assim, todas as vezes que professamos julgamentos comuns de que as pessoas não prestam, de que as pessoas precisam ser condenadas à morte, é como se nós mesmos conduzíssemos o sacrífico de Jesus ao vazio, e neste caso o sepultássemos novamente. Em verdade, a cada vez que negamos ao outro a possibilidade do perdão, da conversão, do arrependimento e de sua transformação como homem novo, é como se negássemos o sacrifício de Cristo claramente expresso em suas palavras neste evangelho: Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei

A palavra de Jesus se remete a todos, o que significa qualquer um que o busque e que o busque para a vida terá o seu perdão e renascerá nele.  Por isso Cristo nos conforta com a morte de nossos entes queridos, porque em nosso amor acreditamos e oramos para que eles o tenham buscado e que agora vivam ao seu lado na paz eterna.


O segundo paradigma se refere ao nosso comprometimento com a vida. Significa dizer que devemos,  a todos os momentos,  buscarmos nossa ressurreição. Muitos de nós esperamos e damos conta do último dia como se fosse uma dimensão apocalíptica do mundo, como se fosse o último dia de todos, ou o último dia de nossa vida física na terra.  Mas não o é. O último dia é o chamado de Deus, um chamado que ele o faz hodiernamente para que este dia, para que agora, para que hoje, seja sua aurora de luz, seja o seu dia de arrependimento, seja o seu dia de salvação, de ressurreição. 
Deus espera que você ressuscite em vida para que não padeça em morte durante sua vida. Jesus fala de seu receio de não perder uma só pessoa que lhe foi confiada pelo Pai, para que ele possa ressuscitá-lo no último dia. Mas, como Jesus poderá ressuscitá-lo se você não o reconhece e se você não se dirige a ele ? Pois é isso que ele professa: “quando vierem”.  

Assim, o Cristo nos adverte para que sejamos vivos em vida e possamos trazê-lo em nosso coração a cada dia, como se nova luz nascesse em nós e novo espírito refizesse nosso coração. Essa nova luz e esse novo espírito é o amor do Senhor, é ele que nos salva, ele que nos redime e ele que nos faz vivos em vida. Trata-se de uma transformação... Morrer para o mundo, nascer para o Cristo esta é a ressurreição e ela deve se fazer a cada dia, pelo amor e pela busca de nossa transformação e de todos com os quais convivemos.  O chamado do Senhor Jesus une os dois paradigmas: acreditar na transformação do outro é fazê-lo ressuscitar em vida, isso significa que o Senhor Deus habita em nosso coração e em vida estamos ressuscitados e em nós ele vive. O último dia é hoje, o agora, o primeiro de muitos dias de nossa vida em Cristo Jesus. 

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